UX/UI no seu projeto de tecnologia

Você sabe qual é o conceito de UX/UI e como ele impacta os projetos tecnológicos?

Ao desenvolver um site, aplicativo, sistema, plataforma ou qualquer outro produto digital, é comum que a atenção esteja concentrada em tecnologia, funcionalidades, segurança, desempenho e prazo de entrega.

Todos esses fatores são fundamentais. Mas existe outro elemento que pode determinar se uma solução será realmente utilizada ou abandonada pelo público: a experiência proporcionada ao usuário.

É nesse contexto que entram dois conceitos fundamentais do desenvolvimento de produtos digitais: UX e UI.

UX significa User Experience, ou experiência do usuário. O conceito envolve a maneira como uma pessoa percebe, entende e interage com um produto, serviço ou sistema. A experiência não está limitada à aparência da tela. Ela envolve a facilidade de realizar uma tarefa, a clareza das informações, a lógica da navegação, a percepção de segurança, o tempo necessário para concluir uma ação e até mesmo a sensação causada pelo produto durante essa interação.

Segundo o Nielsen Norman Group, User Experience abrange todos os aspectos da interação do usuário final com uma empresa, seus serviços e seus produtos.

Já a usabilidade é um dos componentes fundamentais dessa experiência. Para o Nielsen Norman Group, ela está relacionada à facilidade de uso de uma interface e considera aspectos como facilidade de aprendizagem, eficiência, capacidade de memorização, prevenção e recuperação de erros e satisfação.

UI significa User Interface, ou interface do usuário. É a camada visual e interativa pela qual a pessoa se relaciona com o produto digital. Envolve elementos como cores, tipografia, botões, menus, ícones, campos, espaçamentos, componentes, hierarquia visual, estados de interação e organização das informações.

Embora UX e UI estejam diretamente relacionados, eles não são a mesma coisa.

Uma interface pode ser visualmente bonita e, ainda assim, difícil de utilizar. Da mesma forma, um sistema pode possuir uma ótima estrutura de navegação, mas apresentar uma interface confusa, inconsistente ou pouco acessível.

Um bom projeto digital precisa considerar os dois aspectos.

UX: muito além de deixar um aplicativo fácil de usar

Imagine que você está atrasado para uma consulta médica importante e precisa utilizar um aplicativo para chamar um táxi ou transporte por aplicativo.

Você abre o aplicativo e precisa descobrir rapidamente:

  • Onde informar o destino?
  • Qual é o endereço de partida?
  • Quanto tempo o veículo levará para chegar?
  • Qual será o valor estimado da corrida?
  • Qual veículo foi selecionado?
  • Como confirmar a solicitação?
  • Como acompanhar o motorista?
  • O que acontece se você precisar cancelar?

Agora imagine que essas informações estejam espalhadas em diferentes telas, que os botões tenham nomes pouco claros ou que determinadas informações importantes apareçam somente depois de algumas interações.

Tecnicamente, o aplicativo pode estar funcionando perfeitamente.

Mas a experiência não é boa.

Esse é um dos principais pontos do UX: não basta uma funcionalidade existir. O usuário precisa conseguir compreendê-la e utilizá-la para alcançar seu objetivo.

A ISO 9241-210, norma internacional relacionada ao design centrado no ser humano para sistemas interativos, estabelece princípios e recomendações para incorporar essa abordagem ao longo do ciclo de vida de sistemas interativos.

Isso significa que UX não deveria ser tratado como uma etapa estética adicionada ao final do desenvolvimento. Ele deve participar da definição e da evolução do produto.

UI: a interface que transforma a experiência em interação

Se UX está relacionado à experiência como um todo, UI está diretamente ligado à forma como essa experiência é apresentada e operacionalizada na interface.

É o UI Design que trabalha aspectos como:

  • hierarquia visual;
  • cores;
  • tipografia;
  • ícones;
  • botões;
  • formulários;
  • menus;
  • componentes;
  • espaçamentos;
  • grids;
  • estados de interação;
  • mensagens de erro;
  • feedbacks visuais;
  • responsividade;
  • consistência entre telas.

Imagine novamente o aplicativo de transporte.

O UX precisa considerar todo o caminho necessário para solicitar uma corrida.

O UI precisa transformar esse caminho em uma interface que permita ao usuário identificar facilmente o campo de destino, compreender as opções disponíveis, visualizar o preço, selecionar uma categoria de veículo e confirmar a solicitação.

Uma boa interface reduz a necessidade de interpretação.

Ela ajuda o usuário a entender:

Onde estou?

O que posso fazer?

O que aconteceu?

O que devo fazer agora?

Como volto atrás se cometi um erro?

Essas perguntas parecem simples, mas estão presentes em praticamente todos os produtos digitais.

As próprias diretrizes de interface da Apple destacam princípios como hierarquia, consistência, simplicidade, familiaridade, flexibilidade e capacidade de recuperação de erros.

UX e UI não são apenas sobre estética

Um dos equívocos mais comuns é associar UX e UI exclusivamente à aparência de um produto.

UX/UI não significa simplesmente escolher uma cor, criar um botão bonito ou produzir uma tela visualmente moderna.

O trabalho envolve compreender problemas, comportamentos, necessidades e objetivos.

Antes de desenhar uma interface, é necessário entender para quem ela está sendo desenvolvida.

Quem utilizará o sistema?

Qual problema essa pessoa precisa resolver?

Com que frequência ela utilizará a solução?

Em qual dispositivo?

Em que contexto?

Quais informações ela precisa encontrar?

Quais são suas principais dificuldades?

O que pode fazer com que ela abandone o processo?

Essas perguntas ajudam a transformar o design em uma atividade orientada à resolução de problemas.

O usuário precisa estar no centro do projeto

Uma das bases do UX é o design centrado no usuário.

Isso significa tomar decisões considerando as necessidades e características das pessoas que efetivamente utilizarão o produto, em vez de projetar exclusivamente a partir das preferências internas da equipe.

Esse processo pode envolver diferentes métodos de pesquisa, como:

  • entrevistas;
  • questionários;
  • observação;
  • análise de comportamento;
  • testes de usabilidade;
  • análise de dados;
  • criação de personas;
  • mapas de jornada;
  • avaliações heurísticas;
  • análise de concorrentes.

O Nielsen Norman Group reúne diferentes métodos de pesquisa e avaliação de UX, incluindo entrevistas, testes de usabilidade, jornadas do usuário e avaliações heurísticas.

Quanto mais complexo for o produto, mais importante se torna compreender o comportamento real de seus usuários.

Afinal, existe uma diferença significativa entre perguntar a alguém como ele imagina que utilizaria um sistema e observar como ele realmente utiliza esse sistema.

Testar antes de desenvolver pode reduzir riscos

Outro benefício importante do UX é permitir que decisões sejam validadas antes que todo o desenvolvimento seja realizado.

Imagine uma empresa que precisa desenvolver um novo portal para clientes.

Uma abordagem tradicional poderia começar diretamente pela programação das telas.

Uma abordagem orientada por UX pode começar pela compreensão dos usuários, definição dos fluxos, arquitetura das informações, criação de wireframes, protótipos e testes.

Dessa forma, problemas de navegação podem ser identificados antes de se transformarem em problemas de código.

Um protótipo pode revelar que determinado botão não está onde o usuário espera.

Um teste pode mostrar que uma etapa do cadastro é desnecessária.

Uma entrevista pode indicar que determinada informação precisa aparecer antes no fluxo.

Uma análise de dados pode revelar que uma página importante possui uma taxa elevada de abandono.

Corrigir esses problemas durante a fase de concepção geralmente é muito mais simples do que fazer alterações depois que toda a solução já foi desenvolvida e publicada.

Por isso, prototipação e testes não devem ser vistos apenas como atividades de design. Eles também funcionam como mecanismos de redução de risco para o projeto.

As heurísticas de usabilidade

Uma das referências mais conhecidas da área são as 10 heurísticas de usabilidade propostas por Jakob Nielsen.

Entre os princípios estão:

  1. Visibilidade do status do sistema.
  2. Correspondência entre o sistema e o mundo real.
  3. Controle e liberdade para o usuário.
  4. Consistência e padronização.
  5. Prevenção de erros.
  6. Reconhecimento em vez de memorização.
  7. Flexibilidade e eficiência de uso.
  8. Design estético e minimalista.
  9. Ajuda para reconhecer, diagnosticar e recuperar erros.
  10. Ajuda e documentação.

Essas heurísticas funcionam como princípios gerais para avaliar interfaces e identificar possíveis problemas de interação.

Um exemplo simples é uma operação de exclusão.

Ao clicar em “Excluir”, o sistema deve deixar claro o que acontecerá. Dependendo do contexto, pode ser necessário solicitar confirmação, explicar as consequências ou oferecer uma possibilidade de recuperação.

O objetivo não é impedir o usuário de realizar a ação.

É permitir que ele tenha controle e compreenda as consequências.

A importância da arquitetura da informação

Antes de pensar na cor de um botão, é necessário entender como as informações serão organizadas.

Esse trabalho está relacionado à arquitetura da informação.

Em um sistema corporativo, por exemplo, podemos ter:

Dashboard → Relatórios → Relatório de usuários → Filtros → Exportação

Se essa estrutura não estiver bem organizada, uma interface visualmente sofisticada não resolverá o problema.

O usuário continuará tendo dificuldade para encontrar o que procura.

Uma boa arquitetura da informação permite que o usuário desenvolva uma compreensão do sistema e encontre caminhos previsíveis para realizar suas tarefas.

É por isso que menus, categorias, nomenclaturas, hierarquia de conteúdo e fluxos de navegação fazem parte do trabalho de UX.

A experiência também acontece nos pequenos detalhes

Nem sempre os maiores problemas de UX estão em grandes funcionalidades.

Muitas vezes, eles aparecem nos pequenos detalhes.

Por exemplo:

Um botão informa “Enviar”, mas não deixa claro o que será enviado.

Um formulário apresenta um erro, mas não explica como corrigi-lo.

Uma página demora para carregar e não apresenta nenhum indicador de progresso.

Um usuário conclui uma operação, mas não recebe confirmação.

Um sistema encerra uma sessão e não explica o motivo.

Um campo exige determinado formato, mas não apresenta um exemplo.

Esses pequenos pontos podem gerar frustração e insegurança.

A interface precisa fornecer feedback suficiente para que o usuário compreenda o estado do sistema.

Esse princípio também aparece nas diretrizes da Apple, que destacam a importância de fornecer sinais claros sobre o que está acontecendo durante a utilização do produto.

UX também é acessibilidade

Um produto digital não pode ser considerado verdadeiramente bem projetado se uma parcela relevante dos usuários não consegue utilizá-lo.

A acessibilidade deve fazer parte do processo desde o início.

As WCAG 2.2, diretrizes internacionais do W3C para acessibilidade de conteúdo web, organizam recomendações em quatro princípios: conteúdo perceptível, operável, compreensível e robusto.

Isso envolve questões como:

  • contraste adequado;
  • navegação por teclado;
  • textos alternativos;
  • estrutura semântica;
  • identificação clara de campos;
  • mensagens de erro compreensíveis;
  • tamanho adequado de áreas interativas;
  • suporte a tecnologias assistivas;
  • conteúdo compreensível;
  • compatibilidade com diferentes dispositivos.

A versão WCAG 2.2 também acrescentou critérios relacionados a aspectos como tamanho mínimo de alvos de interação, autenticação acessível, foco não obstruído e entrada de dados.

Além de atender pessoas com deficiência, muitas dessas práticas melhoram a experiência para todos.

Uma interface com boa legibilidade, estrutura clara e navegação previsível tende a ser mais fácil de utilizar em diferentes contextos.

Mobile-first: projetar para diferentes contextos

Hoje, um produto digital pode ser utilizado em diferentes dispositivos e situações.

Um mesmo sistema pode ser acessado por computador, tablet ou smartphone.

Além disso, o usuário pode estar em uma rede rápida ou lenta, utilizando uma tela grande ou pequena, com mouse, teclado, toque ou tecnologias assistivas.

Por isso, responsividade não deve significar simplesmente “fazer a tela caber no celular”.

É necessário considerar como a experiência muda de acordo com o dispositivo.

Um formulário extenso pode funcionar razoavelmente em um desktop e ser extremamente cansativo em um smartphone.

Um menu com dezenas de opções pode funcionar em uma tela grande, mas exigir uma reorganização completa em dispositivos menores.

O contexto de uso precisa fazer parte das decisões de UX e UI.

Performance também faz parte da experiência

Uma interface excelente não compensa uma aplicação extremamente lenta.

Para o usuário, tecnologia, design e performance fazem parte da mesma experiência.

Se uma pessoa precisa esperar muito tempo para visualizar uma página, carregar um dashboard ou concluir uma operação, ela não necessariamente diferencia se o problema está no servidor, no código, na rede ou na interface.

Ela simplesmente percebe que o produto é lento.

Por isso, UX deve conversar com arquitetura, desenvolvimento, infraestrutura e performance.

A experiência percebida pelo usuário é resultado da interação entre todas essas camadas.

UX pode impactar conversão e resultados de negócio

UX também possui uma dimensão diretamente relacionada aos resultados.

Em um comércio eletrônico, por exemplo, o usuário pode encontrar o produto que deseja, adicioná-lo ao carrinho e ainda assim abandonar a compra antes do pagamento.

Segundo o Baymard Institute, a taxa média global de abandono de carrinho está atualmente próxima de 70%. A pesquisa da organização também identifica diversos fatores relacionados à experiência de checkout, como processos longos ou complicados, custos inesperados, falta de confiança e problemas de pagamento.

Em sua pesquisa de usabilidade, o Baymard estima que grandes operações de comércio eletrônico podem obter ganhos significativos de conversão apenas com melhorias no design do processo de checkout.

Isso demonstra um ponto importante:

UX não é apenas uma questão estética. Pode ser uma questão de negócio.

Uma etapa desnecessária pode aumentar o abandono.

Uma informação pouco clara pode gerar dúvidas.

Um formulário excessivamente longo pode interromper uma conversão.

Uma mensagem de erro mal construída pode impedir uma operação.

Uma interface pouco confiável pode fazer com que o usuário desista.

Menos atrito, mais clareza

Um bom produto digital não necessariamente precisa ter menos funcionalidades.

Ele precisa tornar claras as funcionalidades que realmente importam para cada contexto.

Essa diferença é importante.

Simplicidade não significa retirar recursos indiscriminadamente.

Significa organizar a experiência para que o usuário encontre aquilo de que precisa sem precisar lidar com complexidade desnecessária.

As próprias diretrizes atuais da Apple destacam que simplicidade não significa minimalismo. O objetivo é construir uma experiência focada, útil e organizada, mantendo próximas as informações e ações mais importantes.

Design Systems: consistência em produtos digitais

Em projetos maiores, existe ainda outro componente importante: o Design System.

Um Design System reúne padrões, componentes, princípios e diretrizes que ajudam a manter consistência entre diferentes partes de um produto digital.

Imagine uma plataforma com dezenas de telas.

Se cada tela utiliza um botão diferente, diferentes estilos de formulário, diferentes mensagens e diferentes comportamentos, o usuário precisa reaprender a interface continuamente.

Um Design System ajuda a estabelecer padrões.

Isso pode envolver:

  • botões;
  • campos;
  • menus;
  • cards;
  • tabelas;
  • modais;
  • alertas;
  • tipografia;
  • cores;
  • espaçamentos;
  • ícones;
  • estados de interação;
  • padrões de acessibilidade.

Além de melhorar a experiência, a padronização pode aproximar design e desenvolvimento, facilitando a manutenção e a evolução do produto.

Como medir UX?

Uma pergunta importante para qualquer projeto é:

Como saber se a experiência melhorou?

Não basta afirmar que uma interface está melhor.

É possível utilizar indicadores para avaliar o comportamento dos usuários.

Alguns exemplos são:

  • taxa de conclusão de tarefas;
  • taxa de abandono;
  • tempo para conclusão de uma tarefa;
  • quantidade de erros;
  • conversão;
  • retenção;
  • satisfação;
  • recorrência de uso;
  • chamados de suporte;
  • utilização de funcionalidades;
  • avaliações dos usuários.

O Google apresentou o framework HEART para estruturar métricas centradas no usuário e relacionar objetivos de produto a indicadores mensuráveis. O modelo considera dimensões como felicidade, engajamento, adoção, retenção e sucesso da tarefa.

Essa abordagem ajuda a aproximar UX dos objetivos de produto e negócio.

UX/UI deve fazer parte do desenvolvimento, não acontecer depois dele

Um dos maiores ganhos de trabalhar UX/UI de maneira estruturada é incorporar o design ao processo de desenvolvimento desde o início.

Uma abordagem possível envolve:

1. Entendimento

Compreender o negócio, os usuários, os objetivos e o problema que precisa ser resolvido.

2. Pesquisa

Buscar informações sobre usuários, comportamentos, necessidades e contexto.

3. Arquitetura

Organizar informações, funcionalidades e fluxos.

4. Wireframes

Estruturar as telas antes de trabalhar todos os detalhes visuais.

5. Prototipação

Criar uma representação navegável da solução.

6. Testes

Observar como usuários reais ou representativos interagem com a solução.

7. UI Design

Definir a linguagem visual e os componentes da interface.

8. Desenvolvimento

Transformar a solução projetada em um produto funcional.

9. Validação

Verificar se o produto desenvolvido corresponde ao comportamento e à experiência esperados.

10. Evolução

Utilizar dados, feedbacks e novos aprendizados para aprimorar continuamente o produto.

Essa lógica está alinhada à abordagem de design centrado no ser humano descrita na ISO 9241-210 e também aos processos de UX apresentados por referências da indústria, como a Figma, que destaca etapas como definição do problema, pesquisa, prototipação, testes e iteração.

UX/UI e tecnologia precisam trabalhar juntos

Um dos erros mais comuns é separar completamente design e desenvolvimento.

O designer cria a interface.

O desenvolvedor recebe o layout.

A equipe técnica transforma o projeto em código.

E somente no final alguém percebe que determinada interação não funciona como esperado.

Uma abordagem mais eficiente é trabalhar de maneira colaborativa.

Designers, desenvolvedores, especialistas de produto e stakeholders precisam compartilhar o mesmo entendimento sobre o problema.

Isso permite identificar antecipadamente limitações técnicas, oportunidades de melhoria e possíveis conflitos entre experiência, negócio e tecnologia.

Na prática, um bom produto digital nasce da combinação desses conhecimentos.

E onde entra a inteligência artificial?

A inteligência artificial também está modificando a maneira como produtos digitais são projetados e desenvolvidos.

Ferramentas de IA podem ajudar equipes a gerar alternativas, analisar informações, organizar pesquisas, produzir protótipos, explorar interfaces e acelerar determinadas etapas do trabalho.

Mas velocidade não substitui entendimento.

Uma interface gerada rapidamente pode continuar resolvendo o problema errado.

Da mesma forma, uma grande quantidade de opções produzidas por IA não significa necessariamente uma experiência melhor.

O papel do UX continua sendo compreender pessoas, contexto, necessidades e objetivos e tomar decisões fundamentadas.

A própria discussão atual sobre UX e inteligência artificial reforça a necessidade de avaliação e julgamento humano, especialmente porque a capacidade de gerar interfaces rapidamente pode superar a capacidade de avaliá-las adequadamente.

A tecnologia pode acelerar o processo.

Mas é o entendimento do problema que orienta a solução.

O que acontece quando UX/UI é deixado de lado?

Quando UX e UI não recebem atenção suficiente, alguns problemas tendem a aparecer:

  • usuários não encontram informações importantes;
  • tarefas simples se tornam demoradas;
  • processos apresentam etapas desnecessárias;
  • erros aumentam;
  • usuários abandonam fluxos;
  • suporte recebe mais chamados;
  • treinamentos se tornam mais necessários;
  • funcionalidades existentes deixam de ser utilizadas;
  • conversões podem cair;
  • a percepção de qualidade do produto diminui.

Em produtos corporativos, o impacto pode ser ainda maior.

Imagine um sistema utilizado diariamente por centenas ou milhares de colaboradores.

Se cada tarefa exigir alguns minutos adicionais por causa de uma interface pouco eficiente, esse tempo pode se transformar em um custo operacional significativo ao longo do mês ou do ano.

Nesse cenário, melhorar UX não significa apenas deixar o sistema mais agradável.

Significa melhorar a eficiência da operação.

O usuário não vê o código. Ele percebe a experiência.

Essa talvez seja uma das melhores formas de compreender a importância de UX/UI.

O usuário não vê a arquitetura do sistema.

Ele não conhece necessariamente o framework utilizado.

Não sabe qual banco de dados está por trás da aplicação.

Não conhece a estrutura da API.

Ele percebe se o produto funciona.

Percebe se é rápido.

Percebe se consegue encontrar o que procura.

Percebe se entende o que deve fazer.

Percebe se consegue corrigir um erro.

Percebe se confia na solução.

E, principalmente, percebe quando uma experiência é desnecessariamente complicada.

Por isso, tecnologia e design precisam trabalhar juntos.

UX/UI como diferencial competitivo

Em mercados cada vez mais digitais, funcionalidades isoladas podem ser rapidamente copiadas ou incorporadas por concorrentes.

A experiência, porém, é construída a partir de um conjunto muito maior de decisões.

É a combinação entre produto, tecnologia, conteúdo, interface, performance, atendimento, acessibilidade, confiabilidade e contexto de uso.

Isso faz com que UX/UI deixe de ser apenas uma preocupação do departamento de design e passe a fazer parte da estratégia do produto.

Uma solução tecnologicamente sofisticada pode não alcançar seu potencial se for difícil de utilizar.

Por outro lado, uma solução que compreende seus usuários, reduz fricções e facilita a realização de tarefas pode conquistar espaço justamente por tornar a tecnologia mais acessível.

Na prática, um bom UX/UI responde a uma pergunta simples

O usuário consegue alcançar seu objetivo de maneira clara, eficiente e satisfatória?

Se a resposta for sim, o design está cumprindo uma função importante.

Se a resposta for não, talvez seja necessário voltar uma etapa e entender onde está o problema.

Pode ser na arquitetura.

Pode ser no fluxo.

Pode ser na interface.

Pode ser no conteúdo.

Pode ser na performance.

Pode ser na acessibilidade.

Pode ser na própria definição do produto.

É por isso que UX não deve ser tratado como uma camada superficial aplicada sobre a tecnologia.

Ele precisa fazer parte da construção da solução.

Concluindo…

Não basta um projeto de tecnologia ser criativo, inovador ou tecnicamente avançado.

É preciso que as pessoas consigam entender seu propósito e utilizá-lo de maneira clara, eficiente e segura.

UX ajuda a compreender a experiência como um todo.

UI transforma essa experiência em uma interface visual e interativa.

Usabilidade reduz dificuldades.

Acessibilidade amplia o acesso.

Pesquisa ajuda a tomar decisões melhores.

Prototipação permite validar hipóteses.

Testes revelam problemas antes que eles se tornem maiores.

Métricas ajudam a entender o impacto das decisões.

E tecnologia transforma tudo isso em uma solução funcional.

No final, todos esses elementos precisam trabalhar juntos.

Na amplav, acreditamos que design e tecnologia são aliados inseparáveis. Um bom produto digital não é apenas aquele que funciona tecnicamente. É aquele que consegue transformar tecnologia em uma experiência clara, útil e relevante para as pessoas.

Porque, no fim, a tecnologia pode ser complexa por trás da tela. A experiência não precisa ser.


Referências

Nielsen Norman Group

Referência internacional em UX, usabilidade, pesquisa com usuários, arquitetura da informação, design de interação e avaliação de interfaces.

Nielsen Norman Group: UX e Usabilidade

10 Heurísticas de Usabilidade de Jakob Nielsen

Usability 101: Introduction to Usability

ISO 9241-210

Norma internacional sobre design centrado no ser humano para sistemas interativos.

ISO 9241-210:2019: Human-centred design for interactive systems

W3C e WCAG

Principal referência internacional para acessibilidade de conteúdo e aplicações web.

WCAG 2 Overview, W3C

WCAG 2.2, W3C

Novidades da WCAG 2.2

Google Research

Referência sobre o framework HEART para métricas centradas no usuário.

Measuring the User Experience on a Large Scale: HEART Framework

Apple Human Interface Guidelines

Diretrizes de design e interação para produtos nas plataformas Apple, com princípios relacionados a hierarquia, consistência, simplicidade, acessibilidade e interação.

Apple Human Interface Guidelines

Apple Design Principles

Baymard Institute

Pesquisas extensivas sobre usabilidade, especialmente em comércio eletrônico, checkout, formulários e conversão.

Baymard: Checkout Usability Research

Baymard: UX Statistics

Baymard: Payment UX

Figma

Materiais introdutórios sobre UX, processo de design, pesquisa, prototipação, testes e iteração.

Figma: What is UX Design?

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